quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Sinister Amusement - Gypsy Jazz Caravan



Gypsy Jazz Caravan é um grupo que conheci mais ou menos no meio de 2016, e gostei bastante apesar de não me aprofundar muito (até porque eles só têm três álbuns lançados -- e que apareçam no Spotify). Então, como tinha parado de falar tanto de música, decidi fazer um pequeno review de um dos seus álbuns.

Antes de começar, para falar um pouco sobre o grupo. Eles se definem como uma banda de swing que é uma homenagem a Django Reinhardt e Stephane Grappelli, artistas dos anos 30 que fizeram música similar, jazzy.
Quanto ao álbum, escolhi Sinister Amusement, de 2008, que inclusive foi o primeiro que ouvi.

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O álbum, como de esperado, é um jazz swingy, de audição muito fácil, com cada instrumento bem definido e perceptível: o violino, os violões e o baixo acústico.
Ele abre com "Minor Infestation", que é uma das melhores do álbum, bem animada e com um "duelo" entre o primeiro violão e o violino. O segundo violão define o ritmo constante. "For Tina" é uma balada agradável com o violino indicando o caminho até certo ponto, com o primeiro violão literando a partir daí, e depois novamente o violino até o final da música. Essa fórmula de intercalar os dois instrumentos continua na canção seguinte, "Liza".
"Body and Soul" é um pouco diferente das anteriores, primeiro por ser mais lenta, ainda que mostre incrível habilidade de dedilhado no primeiro violão. Ao contrário das anteriores, não parece mais uma disputa de habilidades entre o violino e o violão, aqui eles, apesar de continuarem tendo cada um seu momento, são mais suaves e habilidosos. É outro destaque de Sinister Amusement. "Coconut Sunscreen" mistura um pouco a freiada na velocidade de "Body and Soul" com a intercalação dos instrumentos meio que em disputa, e adiciona um arco no baixo acústico, fazendo ele também ganhar um solo com arco. "Cats and Dogs" é divertida e rápida, e pode ficar na cabeça, por causa do refrão cativante que se repete várias vezes. Nessa música, novamente voltamos àqueles "duelos" de antes, adicionando agora o baixo acústico, dessa vez sem arco. Essas três músicas formam a melhor sequência do álbum.
"Pretty Little Analogue" apesar de ser agradável e suave, não tem nada muito especial. Não é como as primeiras, mas não tem nada que realmente adicione algo ao álbum. Talvez seja um pouco ofuscada pelo brilho das três anteriores. E novamente temos um "bate-papo" entre violão e violino. A música que dá nome ao álbum, "Sinister Amusement", também é mais do mesmo (não que esse mesmo seja ruim! Pelo contrário, é extremamente agradável), acrescentando um solo do baixo acústico, que aconteceu melhor em "Cats and Dogs". "Stomp" é novamente mais do mesmo, sendo a que mais me agrada dessas três.
As duas últimas músicas são "Menage a Trois" e "Major Infestation". A primeira é uma das melhores do álbum. O violino e o violão não estão mais "duelando", mas se complementando, um abrindo a apresentação do outro, de maneira suave. O violino demonstra muito mais habilidade que na maioria das canções, mas sem ser agressivo, e o mesmo vale pro violão. "Major Infestation" é quase um replay da primeira, "Minor Infestation", e todos os comentários da primeira do álbum valem para a última.

Em suma, Sinister Amusement é um álbum para ouvir quando se está a fim de relaxar e se divertir. São pessoas habilidosas se divertindo com seus instrumentos.

Bem, é isso.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

Incapacidade crítica e "The Finale"

Estive observando no site do IMDb a página sobre Seinfeld, e discordei fortemente de quão mal colocado estava o último episódio na lista. E isso me levou a seguir uma série de raciocínios que achei pertinentes de se colocar aqui.


Ok, o final da série em si é esquisito, mas o episódio (duplo, diga-se de passagem) traz tudo que a conclusão devia trazer: os personagens marcantes que fizeram participações pontuais, refer~encias a outros momentos (algumas, inclusive, bem sutis, como a última conversa entre o George e o Jerry).
Apesar disso, os usuários do IMDb consideram o episódio um dos piores, acima apenas de 10 outros (inclusindo 4 dos 5 da primeira temporada, também injustamente) dos 180 de toda a série.

Olhando outra sitcom, digamos, Friends, a primeira coisa que se vê é o último episódio disparadamente na frente. Eu já vi Friends (não inteiro, imagino), e sei que tem vários melhores que o series finale. O mesmo acontece com diversos outros seriados (de comédia, ao menos, visto que eu os conheço): pegam os episódios mais dramáticos ou com maior fator de nostalgia para serem considerados os melhores. Também acontece isso com outras que gosto bastante, como Scrubs.

Observando isso e comparando a recepção de "The Finale" (último episódio de Seinfeld) com a de outros series finales, percebo que ao olhar a comédia, as pessoas não querem necessariamente ver algo engraçado. Elas querem ver uma história (boa ou não, não entremos no mérito) concluída do jeito que elas acham melhor, e isso explica briguinhas como Seinfeld vs Friends, quando obviamente, falando de comédia por comédia, a primeira é infinitamente superior.

Falando especificamente de Seinfeld, não creio que muitos fãs considerem a dificuldade extrema de se gerar o final de um "programa sobre nada". Não havia uma história se desenvolvendo por 9 anos para ser concluída naqueles episódios, não havia arcos, não havia nenhum conflito além de coisas cotidianas. Larry David então colocou um fim de uma maneira que mudava completamente a forma que vinha seguindo: todos os protagonistas se dão mal. Mas isso não quer dizer que era um final triste, afinal no fim das contas, eles continuam conversando besteiras, coisas pequenas e cotidianas como faziam antes de tudo dar errado (estou tentando evitar descrever muito mais que isso porque, por mais que eu ache o pavor de "spoilers" ridículo, há quem o tenha).

Larry David estava conseguindo evitar isso muito bem depois com Curb your Enthusiasm, seu show pós-Seinfeld da HBO. As 8 primeiras temporadas de Curb não têm arcos ou coisa assim e com seus religiosos 10 episódios por temporada, a comédia está sendo feita pela comédia, porque ele tem a liberdade de não ter que seguir tantas regras como em Seinfeld, como limitar as palavras usadas (limite que fez Seinfeld se destacar, muitas vezes, por tratar temas como masturbação sem dizer sequer a palavra "masturbação" nos episódios). E uma dessas regras que não precisa seguir é a de fazer mudanças para aumentar o apelo popular de Curb.
Fazendo piadas de cristãos, judeus, cadeirantes, cegos, surdos-mudos, negros e neonazistas, Curb your Enthusiasm não teve nas 8 temporadas até agora lançadas um compromisso com "terminar". Inclusive na entrevista que coloquei no post sobre o sucesso de Larry David, ele disse que não tinha planos para fazer uma nona temporada de Curb your Enthusiasm, mas hoje já é confirmado que haverá uma nona temporada.

Outra observação feita é que o formato de "seriado" é o único motivo para o telespectador médio acompanhar algo, e assim muito conteúdo ruim é consumido.

Bem, é isso.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

Lírio, alecrim e o valete de copas

Eu já disse em um dos meus textos sobre o Nobel de Bob Dylan que a música "Lily, Rosemary and the Jack of Hearts" podia ser vista como uma peça de teatro. A música é quase dividida em atos, e são todos bem delimitáveis, não é difícil ver o que estou falando.

Estive pensando recentemente sobre como seria tal peça, e considerando até escrever uma, não que eu realmente vá fazer ou não vá fazer isso. Ora, apesar de eu tentar implantar uma frequência nas publicações deste blog, posto quase sempre sem nenhuma ordem, já é de se esperar.

Mas voltando à canção: por que uma peça?
Vamos aos personagens. Lily poderia ser uma protagonista. A mocinha não é ingênua, mas tem sua classe e é querida por ser muito bonita e por ser uma boa pessoa. Possivelmente sua ingenuidade venha de "broken home" e "strange affairs" que Dylan menciona, vindo de seu passado. Ela tem sua experiência de vida. Podemos afirmar que ela é bonita porque todos os homens vão atrás dela. Trabalha num cabaré fazendo performances de peças e acaba se envolvendo com um homem misterioso, possivelmente um bandido, Jack of Hearts. Lily se apaixona por Jack of Hearts por ele ser diferente de qualquer outro que ela já tinha visto, afinal "she never met anyone quite like the Jack of Hearts".
O nosso Valete de Copas é um gênio charmoso, de certa forma como Erik d'O Fantasma da Ópera de Gaston Leroux. Ele é também capaz de deixar todos os guardas de um aparentemente esnobe Big Jim (que suponho ser "the king") desacordados, ou no mínimo derrotados. Ele é um homem provavelmente mais velho, imagino, por ter se deitado com um número de mulheres grande o suficiente para Lily ser "apenas mais uma".
Big Jim é o personagem chave da canção, mas eu gostaria de falar ao mesmo tempo dele e de Rosemary. Rosemary aparece como uma mulher próxima de um desconfiado Big Jim, se desculpando e o chamando de "darling". Rosemary não deve ser nenhuma garotinha nova, porque depende totalmente de acessórios para ter apelo sensual ou atrativo, como cílios falsos. Pessoalmente, sempre a vi como uma espécie de cafetina, não consigo imaginar um cabaré sem um cafetão ou uma cafetina. Considerando também que Big Jim a carrega para todos os cantos ao ponto dela não aguentar mais isso, é realmente possível. O rei está desconfiado, como falei antes, do novo personagem no cenário, Jack of Hearts, porque ele reconhece o rosto do sujeito, possivelmente do México, numa foto em uma prateleira de algum lugar (uma das coisas que sugerem que o Valete seja um fora-da-lei, o que depois seria ainda mais claro).
A ação da música está no revólver atirando no cabaré e o assassinato de Big Jim por facadas nas costas, e vários personagens podem ser vistos como culpados.
Descobrimos que o Valete faz parte de um grupo de homens que roubam um banco e mostravam lealdade a ele, afinal "they couldn't go no further without the Jack of Hearts". Como Big Jim havia suspeitas dele, e misteriosamente é assassinado, é um ponto forte para o Valete ser o assassino. O Valete estava no cabaré enquanto seus homens roubavam o banco. Não se sabe também quem atirou com o revólver, mas possivelmente também tenha sido ele, considerando o que foi dito.
Mas Rosemary já estava aborrecida com o ricaço, e estrofes antes estava nervosa, olhando para uma faca (e não, não era para cantar Matadouro das Almas de Rogério Skylab). Ponto para ela.
E a doce Lily menos claramente estava também irritada com Big Jim. Em um estrofe que não foi para a versão do álbum Blood on the Tracks, há um verso que diz "She forgot all about the man she couldn't stand who hounded her so much", e não há ninguém que não Big Jim que se encaixe nisso. Talvez minha visão de Rosemary como uma cafetina acabe com a Lily sendo uma de suas mulheres, o que também daria certo com o verso do estrofe sobre Lily "She'd come from a broken home and had lots of strange affairs/ With men in every walk of life which took her everywhere".
Rosemary, já irritada com Big Jim, e mostrava tensão, como Dylan diz em "Rosemary right beside him, steady in her eyes".
E de maneira realista o final é com Jack of Hearts aparentemente sendo fiel aos seus homens e fugindo com os bandidos, visto que ele é o único que some depois do assassinato de Big Jim (o que também pode ser visto como um ponto a favor dele ter sido o assassino). Rosemary está ainda mais tensa ("she didn't even blink"), possivelmente por sua personalidade ou por ter cometido o crime. O cabaré é fechado, e Lily termina a canção pensando sobre a vida, sobre o comportamento de Rosemary, sobre sua família e especialmente sobre o Valete de Copas.

O final é quase como o final de Capitu. Não sabemos quem foi o responsável pelo assassinato, mas sabemos que todas as vidas ali foram afetadas fortemente (exceto, talvez, a de Jack of Hearts).
Apesar de ser um texto relativamente longo para uma única música, ainda creio que "Lily, Rosemary and the Jack of Hearts" tem muito a ser explorado ou, no mínimo, filosofado, podendo até ser transformada em peça em um cenário como os dos melhores faroestes estilo Clint Eastwood (que, surpreendentemente, ainda não foi tema de um texto aqui).

Bem, é isso.

domingo, 9 de outubro de 2016

Resenha de "É Fada!"

Primeiramente, perdão pela ausência. Algumas coisas aconteceram inicialmente, mas depois minha ausência foi por puro desleixo. Voltarei em breve, quando estiver com menos coisas na UnB a serem feitas.

Em segundo lugar, ontem assisti ao filme "É Fada!", que estrelava Kéfera Buchman (ou qualquer anagrama disso), e estou positivamente surpreso. Em minha conta do LivroFacial publiquei uma resenha sobre a película, e aqui estou a colocando novamente.





Eu poderia simplesmente colocar esta referência a Seinfeld  acima me referindo à obra brasileira do século, a ribombante película "É Fada". Mas seria mais digno escrever uma resenha séria a respeito, afinal presenciamos a criação de um divisor de águas na história artística brasileira.
Além dos pontos sociais críticos já tratados em uma resenha de um camarada meu (que deve ser linkada no futuro próximo), as referências ao filósofo Julius Evola, Hellraiser e tudo mais, destaco mais uma. É uma clara referência à obra de Aluísio Azevedo "O Cortiço".
A protagonista Júlia é uma versão actualizada e contemporânea de Pombinha, a "flor do cortiço", porque no meio degradante e degenerado da escola nova (o Cortiço moderno), Júlia contrasta por ter sua personalidade forte. A personagem que representa Leonie, responsável por não somente deflorar Pombinha mas também introduzir esta ao mundo da prostituição, é a professora de educação física, ao insistir que a menina Júlia dançasse em frente à sua classe, ainda que esta não quisesse, e esse papel continua no filme com Geraldine (Kéfera), sempre fazendo a menina se adaptar ao meio (no caso d'O Cortiço, a prostituição, e de É Fada, não é tão diferente assim).
Assim como o personagem de Aluísio de Azevedo Jerônimo, o pai da menina Júlia é um homem honesto e dedicado ao trabalho, mas cede à sensualidade e aos desejos carnais, na obra do escritor sendo a Rita Baiana, e, na película por mim assistida no dia de ontem, sendo a mãe da protagonista.
O filho do dono da cantina da escola claramente também tem um pouco de Pombinha, mas ao contrário desta, ele não foi corrompido, contrariando o contestável e criticado determinismo extremista de Aluísio Azevedo.
Geraldine (por Kéfera interpretada) não é somente o reflexo da busca por prazer e seus limites, a dor e tudo mais, como já foi apontado na resenha já mencionada anteriormente. Por exemplo, a Fada é um personagem extremamente complexo com influências de vários locais, seu bordão de "três escolhas" sem dúvidas veio de Jano, deus da mitologia Romana, onde cada uma das possíveis escolhas abre um novo caminho, inicia um novo ciclo.
Também sou levado a ver muitas influências de Seinfeld, sitcom dos anos 90, na película.
O chefe de Geraldine não é muito diferente do Soup Nazi, personagem clássico de Seinfeld. Sempre muito rigoroso e metódico, ele é talentoso e acaba sucumbindo aos seus pequenos erros, no caso do Soup Nazi, ter deixado suas receitas no armário, e no caso do chefe de Kéfera, ter cedido às palavras sensuais que esta lhe falou.
Júlia tem traços de Kenny Bania, como na cena em que, tal como Bania insistir em ter um jantar em vez de uma sopa, ela insistia em ter uma pulseira específica para entrar em uma festa (que tinha sido ideia de Geraldine).
Isso sem mencionar a personalidade de Geraldine, que mistura um pouco dos quatro protagonistas da exímia sitcom.
Tal como estou certo que Jerry Seinfeld também teria uma epifania ao ver a película referida no trecho do episódio "The Chinese Restaurant", da segunda temporada de Seinfeld, estou certo que nenhum indivíduo se decepcionaria com "É Fada".

Bem, é isso. Assistam.

quarta-feira, 31 de agosto de 2016

A democracia do ar-condicionado

Não sou um democrata. Não é um assunto que eu goste muito de ficar colocando em um blog sobre nada, porque o objetivo é ter os assuntos mais aleatórios os possíveis, e política nunca vai ser um assunto aleatório.  A abordagem do tema da democracia é algo o qual já me vem irritando há muito tempo, porque a tomam como uma entidade inquestionável, absoluta, e atacar a democracia é pior que atacar o deus de qualquer religião.
Mas eu já havia pensado em um exercício mental pelo qual todos já passaram em algum momento, e o considerei digno do blog: as votações das pessoas localizadas em uma sala para decidir a situação do ar-condicionado.

Certo, todos levantam suas mãos para dizer o que preferem, o ar-condicionado ligado ou desligado.
Suponhamos que exatamente metade da turma mais um preferem-no desligado, e o resto ligado, em uma manhã relativamente fria de Brasília, com seus 18ºC. Todos os que levantam a mão para requisitar que ele fique desligado não levam em conta a mudança da temperatura que o decorrer do dia irá trazer, às 11 horas a temperatura já será algo em torno de 25ºC ou mais, e aqueles da sala os quais são mais sensíveis a calor começarão a suar, piorando a situação geral. Uma cena nem um pouco agradável.
Suponhamos agora: metade da turma mais um preferem-no ligado, e os outros desligado, nessa mesma manhã relativamente fria de Brasília, com seus 18ºC. Aqueles que levantaram a mão e ganharam a votação podiam estar realmente com calor (o que não só é possível como eu geralmente me encontro nesse grupo), ou podiam estar pensando a longo prazo, para aquilo descrito no parágrafo anterior. Mas vejamos a consequência para todos: nas primeiras horas da manhã, os que perderam a votação vão ficar com frio absurdo em uma manhã a qual já consideram fria, eles saem perdendo até finalmente chegar a tarde, ou saírem da sala.

Qual é, então, a solução certa?

É mais simples do que parece: não fazer uma votação e manter o ar-condicionado ligado sempre. Antes de me acusarem de ditatorial, raciocinem: quando você está com frio, é possível deixar de sentir frio? Sim, basta se agasalhar, ou algo do tipo. Quando você está com calor, é possível deixar de sentir calor por alguma maneira aceitável em sociedade (ou seja, não arrancar a roupa na sala em questão)? Não.
Não é à toa que o frio demorou muito mais tempo para ser controlado pelo homem, ele é por natureza mais complexo. Na física, o desenvolvimento de máquinas térmicas aconteceu antes dos refrigeradores, por exemplo. Inclusive por um grande período da história a compra e venda de gelo era muito cara, porque apenas se conseguia ele indo até os pólos do mundo e cortando-o nos mais diversos sólidos geométricos.
Essa solução não só é simples como mostra como as pessoas passam a deixar de lado a responsabilidade sobre seu conforto para deixar nas mãos de uma probabilidade de vencer uma pequena democracia pelo ar-condicionado. Além de emburrecerem pela pequena democracia (ora, é responsabilidade do indivíduo levar um agasalho se ele é necessário, e além disso, se o ar-condicionado fosse mantido ligado o tempo todo, elas estariam acostumadas a isso), as pessoas preferem depender dos outros a dependerem de si mesmas, é uma coisa curiosa, que renderia um belo estudo psicológico, social, ou o que demônios for. Curiosamente, da mesma forma na vida real, as pessoas preferem abdicar de suas responsabilidades de pagar estudos, saúde, previdência para deixar nas mãos da democracia e do Estado. Isso inclusive é um dos motivos para eu ser quase um monarquista, ou algo do tipo, sem muita precisão, mas sempre antidemocrata.

Infelizmente é preciso frisar que o intuito da publicação não é começar um debate sobre o assunto. Leiam e releiam, não tem nenhuma citação nem estudo sobre isso, é apenas um exercício mental simples. Se realmente quiser uma leitura simples que exponha meu ponto de vista, sugiro o pequeno livro de Frank Karsten e Karel Beckman, Além da Democracia, mas para ser honesto, prefiro que não seja lido se for para fins de discussão, porque quanto menos discussão política, mais saudável é a convivência com pessoas.

Bem, é isso.